quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

do alto da montanha

Subi na cadeira, no muro, fui para o alto da montanha. Parei na beira do precipício. E era tentador a vontade de me jogar, de voar. O vento ali parecia convidativo. 

Mas lá do alto eu podia ver todo o mundo. Todo o meu mundo. E eu via sempre pessoas correndo de um lado para o outro. Estavam o tempo inteiro ocupadas. Nunca prestavam atenção em quem estava ao seu lado. Não havia tempo para um bom dia, nem um sorriso amarelo. Lembravam-se apenas de olhar para o relógio, para verem quanto tempo tinham, se daria tempo, se estavam atrasadas e para reclamar do trânsito que estava um caos. 

Buzinas ensurdecedoras. O sinal fechava na hora em iam passar. Era um um jeito da vida dizer, PARE. Mas eles não entendiam. Ligavam o rádio apenas por hábito, não prestavam atenção quando a música dizia: "hoje o tempo voa, escorre pelas mãos, mesmo sem se sentir, que não há tempo que volte, vamos viver tudo o que há pra viver, vamos nos permitir." Nada os fazia parar.

E na beira do precipício, o vento fazia barulho, bagunçava meu cabelo e a vontade de me jogar, aumentava. Tentar voar na direção que o vento seguisse. Mas foi esse vento que me derrubou e me deixou caída, lá no alto, olhando para o céu. E aí eu percebi o quão estrelada estava aquela noite. Quantas luzes brilhavam naquele dia.

Aquelas estrelas me fizeram lembrar que no final a guerra sempre vai ser você contra você mesma. As pessoas vão te machucar. E não importa qual o grau de intimidade e importância que elas tenham com você. E talvez você também as machuquem. Mas a guerra sempre será de você com você.

Oras vai precisar controlar a raiva. Outra hora precisará controlar tua tristeza, alegrias e sorrisos. Vai precisar guardar a tua dor, para sofrer na hora em que todos forem dormir.

Quando mais precisar de alguém, é quando mais vai se sentir sozinho. Não venham me falar que é nessas horas que se descobre com quem contar, porque não é. É nessas horas que você vai se descobrir que só resta você e você. 

E veja que ironia: do alto da montanha vejo tanto gente.

Mas enquanto eu observava o céu, uma estrela cadente passou. E talvez por eu está sozinha foi que pude vê-la. Eu não sabia o que pedir. Foi quando a lua me fez lembrar que mesmo sozinha, eu posso iluminar.


Aprendi desde cedo que na vida sempre vai ter alguém pra te colocar pra baixo. Alguém pra te fazer desistir dos teus sonhos. Alguém pra te dizer que você não vai conseguir. Sempre existiram pessoas assim. Porém, o mais triste, é quando se descobre que algumas dessas pessoas convive com você. Ás vezes, estão dentro da tua casa.

Eu descobri que as mesmas pessoas que um dia me levaram a igreja e me apresentaram Deus, foram as mesmas que me fizeram perder a fé. Aquelas mesmas pessoas que me ensinaram a ter esperanças, a mataram dentro de mim. Me ensinaram a sonhar e destruíram os meus sonhos. Me falaram do amor, me ensinaram a amar e hoje esqueceram o que é amor.

São sempre essas mesmas pessoas que me mostraram o mundo, que me tiraram dele. Fizeram eu me perder. Fizeram eu esquecer onde estou, o que quero e quem eu sou.

E aí eu me pergunto: onde estou e que mundo é esse?! 

Posso responder que o mundo lá fora me ensinou muita coisa, mas foi aqui do lado de dentro que eu aprendi muito mais. 


Então, decidi que não quero ser mais um nessa multidão de pessoas ocupadas. Quero poder iluminar mesmo que sozinha. Quero que ao chegarem perto de mim, eu possa transmitir o amor, mesmo quando só trouxerem indiferença, arrogância e maldade. 

Que a minha luz seja tão grande, tão forte e que te faça cegar, para te fazer parar. Para que veja que há sempre um algo mais. Para que se lembre que o teu maior inimigo é você mesmo. Para que olhe no espelho e descubra que olhar pra dentro pode ser a solução. Para que mesmo sozinho você seja capaz de amar. Apesar de tudo, apesar de tudo. 









(que eu lembre sempre de sorrir, mesmo quando tudo for para chorar)











Olha a luz que brilha de manhã/ Saiba quanto tempo estive aqui/ Esperando pra te ver sorrir/ Pra poder seguir/ Lembre que hoje vai ter pôr do Sol/ Esqueça o que falei sobre sair/ Corra muito além da escuridão/ E corra, corra!/ Não desista de quem desistiu/ Do amor que move tudo aqui/ Jogue bola, cante uma canção/ Aperte a minha mão/ Quebre o pé, descubra um ideal/ Saiba que é preciso amar você/ Não esqueça que estarei aqui/ E corra, corra!/ Azul, vermelho/ Pelo espelho/ A vida vai passar/ E o tempo está no pensamento

domingo, 7 de outubro de 2012

filosofia barata de final de domingo

Da série: conversas de domingo a noite

- Estava pensando com meus botões, meu coração deve tá com problemas (não é caso sério e nenhuma novidade, meu coração vive com problemas, está sempre disritmado). Mas é como se sentisse uma sede de viver. É como se o mundo interno precisasse invadir o externo. É como se tivesse que ser vivido do lado de fora.
(silêncio)

Outra coisa, cheguei à conclusão que promessas de amor deveriam ser proibidas. Porque acaba tornando obrigação cumpri-las. Faz-se do amor uma obrigação. Não pode. Tem que deixar acontecer.
(mais silêncio)

Não sei se está conseguindo me acompanhar e entender. Talvez, seja muito aquarianista essas coisas. E para uma mente tão sã quanto a sua, isso é confuso.

- Se eu te fizer uma pergunta, tu jura que me responde a verdade?
- Sim
- Você anda usando drogas? Sério, podemos procurar um tratamento pra você. Te ajudo nessa recuperação.
- hahahaha... Não uso drogas e não precisa se preocupar com isso. São apenas pensamentos de domingo.
- Ok, prosseguiremos. Porém, essas indecisões, pensamentos sem rumo... São normais. Acho que a gente está na idade das dúvidas. Falam que é na adolescência, mas eu já passei por ela e discordo. A fase adulta é a fase das dúvidas, porque é nessa fase que você começa a realmente tirar suas decisões por si, que você realmente assume responsabilidades que não irão recair sobre as costas de mais ninguém. Só sobre as suas.

(atenção para o rumo da conversa, percebe-se que o pensamento aquarianista realmente não está sendo acompanhado)

- Segundo o que falam da adolescência, eu devo ter começado a viver a minha com 20 anos. Aliás, ainda estou vivendo a.
- Então, a incerteza do que fazer ou de que decisão tomar vão se tornar cada vez mais frequentes. 
- Acho que os erros nessa fase são melhores, não menos doídos. São mais vividos, porque quando adolescente muitas vezes você nem enxerga como um erro.
- Exato. Adolescência é uma fase que você passa para aprender os princípios da vida. É como a escola, passamos a vida toda na escola para aprender e chegar à faculdade. A adolescência uma fase que você passa para aprender os princípios da vida e colocá-los em prática na fase adulta.

(pausa)

- Mas eu não estava falando de adolescentes, nem adultos. Eu falava daquilo que vive batendo no lado esquerdo do peito, que chamam de coração.
- Seu coração está assim, por causa das dúvidas. É comum. É normal. Você acha que tudo mundo na nossa fase está certo das coisas? Certo do que queremos? Não.
- Penso que nesse momento meu coração poderia ser substituído por um ponto de interrogação. Mas acho que as interrogações devem continuar mesmo na cabeça, porque no fundo o coração sabe o que a gente quer e deve fazer.
- Daria na mesma coisa. É como discutir qual é o pior dia da semana, se não fosse a segunda seria a terça. O coração poderia ser substituído pelo fígado, se ele tivesse a mesma função do coração, iríamos sentir a mesma coisa.
- Sim. Mas acho que você ainda continua não entendendo. Não é pra ser levado tão a sério. Porque no fundo isso tudo é pra falar de amor.
- Amor é um problema.
- Por isso que você vive fugindo.
- Eu acho que nunca vou conseguir entender direito a finalidade do amor. Não é querendo ser durona, mas é que eu não consigo entender como que uma coisa é pra te deixar feliz e te deixa triste. E porque a gente luta tanto por uma coisa que nos deixa mal. Realmente é muito para minha cabeça.
- O amor não é pra deixar ninguém mal. Porém, é impossível amar sem sofrer. Só que esse sofrimento, é inclusive, o que muitas vezes faz o amor crescer, amadurecer, melhorar e parar de sofrer. Mas é um fato: quem ama sofre.
- Concordo. Mas poderia ser mais fácil.
- Por quê? Se fosse fácil não saberíamos dar o seu devido valor.
- Eu vou procurar um “mô” pra mim. Toda vez que vejo um casal se chamando assim, eu me lembro da história daquele dia. (piada interna)
- Um dia quando tivemos o nosso "mô", riremos ainda mais.
- Verdade, viu!?
- Tudo o que um dia a gente disse nunca fazer, o amor nos faz fazer. E repetidas vezes.
- Outra verdade.
- O amor é capaz de mudar uma pessoa. Mas, não necessariamente pelo outro e sim porque ela se torna melhor amando. E sendo amada.
- Concordo. Eu sempre admirei muito o amor das pessoas, mas sempre achei difícil realmente amar alguém. Digo no sentido homem e mulher. Sempre me achei tão bem resolvida quanto a isso , tão independente...
- O amor é liberdade. É tanto, que é você quem escolhe ficar. Adoro quando o poeta diz: liberdade na vida é ter um amor para se prender.
- Quando estive com “ele”, foi muito bom. Realmente o amei de verdade e nem sabia nada de amor. Mas daí vieram os desencontros da vida e as coisas não acabaram tão bem, nos afastamos. E agora, alguns meses depois, voltamos a nos falar e renasceu uma energia tão boa, uma coisa legal. 
- O amor nunca acaba. Ele se transforma. Vira carinho, amizade, lembrança, raiva... Mas não acaba. Você já passou pela fase do sofrimento, agora vai parar de doer.
Acho que Platão deve ter um baita orgulho de mim, mas eu não quero mais viver de Platonismos. Quero um amor onde duas pessoas possam está juntas nesse plano de amar. Amando, sofrendo, errando, aprendendo, mas juntos. E não precisa ser pra sempre, basta durar o que tiver que durar. Viver o que tiver que viver. Precisa durar apenas enquanto existir amor.
-UAU. Tens toda razão. Amar só por escolher amar também não tem graça. Tem que amar por amor. Eu já tentei amar por escolha e não é legal. Você não consegue.
- Ninguém escolhe quem amar.
- Tem gente que consegue.
- Não, não. Acho que você acaba amando mas não porque escolheu e sim porque descobriu um ser que admirasses. Acabou descobrindo o amor.
- Pode ser.
- Eu gosto de amar o amor.
- Não sei necessariamente se eu gosto.
- Ai ai ai
- Acho que estamos drogadas. Olha só essa conversa.
- Porque encaras o amor como uma droga?
- E não é?!
- Não. Não é.
- Não vamos começar isso de novo. Até porque eu preciso ir. Tu vais ser sempre essa eterna apaixonada pelo amor e por tudo e defenderá o amor até o fim.
- Quero poder ser sempre assim.



Coisas que só um final de domingo pode fazer.








E toda essa tagarelice é culpa da água de janeiro que me deram.









Eu vou tentar mais uma vez
Eu vou atrás, não vou ter medo
Eu vou bater, eu vou entrar
Eu vou chegar mais cedo mais uma vez

Eu vou entrar na tua casa
Eu vou entrar na tua vida


segunda-feira, 17 de setembro de 2012

descafeinada


Meu pai traz do interior uns biscoitinhos de padaria que são uma delícia. Eu sempre prefiro o salgado, apesar de toda a família preferir o doce. E não gosto dos biscoitos inteiros. Faço questão pelos quebrados e que façam bastante farelos. Só pego os inteiros pra fazer farelo na mão. Para o desespero da minha mãe e irmã que abominam a minha bagunça (nesse caso, minha sujeira). 

Esses biscoitinhos me lembram de tardes na casa da minha avó. Que os adora para tomar com café. Ela costuma chamar de biscoitinho de pobre. Lembram-me também os bolos que deram errados e sempre são muito bons quando acompanhados de café. Bolo de massa puba é ótimo com café. É como o chá da tarde. Só que com café e rodeado de biscoitinhos de padaria. 

Na casa dessa minha vó, havia uma mesa encostada na parede da cozinha que era onde ficava o de mais perigoso para uma criança curiosa, como eu: a cafeteira. Era um que de: tá quente, não mexe aí, é perigoso, é melhor brincar lá fora. O objeto mais usado da casa. Era avó, tios, pai, visitas. Todos eram convidados para uma xícara de café com bolo ou biscoitinhos. Na cozinha ou na sala. Ás vezes, minha avó sentava na porta e levava a xícara junto para conversas com os vizinhos na calçada.

Desde que me entendo de gente o café rodeia a família. Lembro de todas as xícaras de café de meu pai. Houve uma época em que ele saia para trabalhar às 4h30min da manhã, quando eu estava na casa dele ia muitas vezes junto nessas viagens. O café da manhã era por volta das 7h, em um restaurante/lanchonete na beira da estrada de um interiorzinho. Eu e meu pai muitas vezes íamos para casa de praia bem cedo, sem comer, para parar em qualquer barraca na estrada que oferecesse pelo menos um pão com queijo e suco. E se nada tivesse, dependendo da fome, aceitávamos uma fritura qualquer. Mas o café com biscoitinhos antes de sair de casa, ele nunca dispensava. 

Minha mãe também sempre tomou café. Mas ela gosta de café com leite e descafeinado. Café puro não curte muito. Mas sempre aceita quando oferecem depois de um almoço. Em um lanche. Na hora da fome, um cafezinho sempre cai bem.

As lembranças rodeadas de café são muitas. O único problema é que eu não gosto de café. Já experimentei, mas não gostei. Um problema pra mim é quando chega uma visita e quer café, eu nunca sei preparar. E não tem como experimentar pra ver se tá bom. Porque pra mim nunca está.

Certa vez quando estava nas aulas teóricas da auto escola, não deu tempo de comer nada antes de ir. Depois de um tempo a fome começou a apertar. Não havia nenhum confeitinho sequer na bolsa. Fui para salinha do café, torcendo para que houvesse os biscoitinhos que sempre tinham. Mas nesse dia só havia café. E agora? – pensei. Vou ter que encarar, todo mundo toma, vou conseguir também. Peguei os copinhos descartáveis de café. Coloquei metade (metade daqueles copinhos minúsculos), coloquei açúcar e bebi, com a certeza de que minha fome acalmaria. Mas não deu certo. Tremendo sacrifício tomar aquele líquido. Desci para o bebedouro e bebi todos os copos de água até ficar enjoada e enganar a fome.

Acho lindo um convite para um café. Sério mesmo! Dá um ar chique a coisa. Cafeteria na livraria é o ápice do bom gosto. Mas o meu convite vem sempre: vamos tomar um café sem café? Aceito chá, leite, suco, água. Só não café.

Outra coisa que adoro são as canecas de café. São lindas! Quero todas. Adoro as diferentes, de bichinhos, frases, desenhos, que toca ou tem foto quando quentes. São todas lindas. Mas eu sempre as preencho com água. Levo uma comigo quando tenho que estudar, ler um livro, assistir TV, ficar no computador ou escrever. Canecas de café com água. Ahh e eu gosto de garrafa térmica na mesa, mesmo que nem sempre a use.

Até hoje não sei usar cafeteira. Uma vez estava na sala de espera do consultório, fui pegar água e uns confeitos. Do lado estava aquela gerigonça (que me chama atenção). Deu vontade de pegar um café, mesmo sem gostar. Vi que do lado havia saches de chá. Pensei, problema resolvido, tomarei chá. Eu só precisaria conseguir ligar aquela máquina para pegar água quente. Mas eu não sabia mexer naquilo. Tentei mas não deu certo. Voltei para minha cadeira e sem chá.

Amo o cheiro de café. Uma lembrança de São Paulo é o cheiro do café. Adoro mesmo. O cheiro de café me leva a São Paulo, a casa da minha vó, os cafés com meu pai, da minha mãe sempre colocando leite na sua xícara, do meu avô sentado na cabeça da mesa, da infância querendo aprender a usar a cafeteira.

Por mais que eu tenha lembranças rodeadas de café, por mais que adore o cheiro, e tudo aquilo usado para o cafezinho Não gosto de café.

E acho que tem coisas que são assim. Você experimenta, curte experiências juntos, vive momentos, tem lembranças, mas elas ficam apenas nisso. Algumas pessoas não conseguem ser mais que boas lembranças. Fazem histórias, mas cada um em seu canto. Não se misturam a ponto de conseguir serem nós. E quando se entende isso, não é ruim. É uma forma de se viver melhor. Cada qual sabe o espaço que ocupa na vida do outro e não existem cobranças. Nem sempre é fácil, mas é menos complicado quando se entende que é essa condição para terem histórias.



Continuarei gostando de café. Adorando o cheiro. E estarei presente nas rodinhas para uma xícara de café. Mas ficarei apenas com a minha água. 







É apenas água.








Livre! Fique sim, livre
Fique bem, com razão ou não
Aterrize!...

domingo, 2 de setembro de 2012

curto circuito

Ás 7h da matina e tem gente que esqueceu o bom dia e começou a perturbar. Não respeitou nem meu silêncio enquanto abro os olhos e tento levantar. Ainda querendo acordar os pensamentos com boas vibes para o longo dia que teria.

O que você tem? Aconteceu alguma coisa?

Duas perguntas que me irritam e intrigam (quando vindas de você). Simplesmente, porque, primeiro: se realmente quisesse saber o que eu tinha, não perguntaria, era só prestar atenção em mim. Segundo: como falar o que tenho se nem eu mesmo sei? Mil coisas passam pela minha cabeça. E todas elas me incomodam. E terceiro: se você tivesse interesse em saber de mim, não acreditaria tão facilmente quando eu digo que tá tudo bem, mesmo com a voz soando diferente, sorriso forçado e o olhar pra baixo. Prestaria também atenção em você. É aquele clichê: quem não consegue compreender um olhar, tão pouco entenderá uma longa explicação. E eu não acordei disposta a gastar mais nenhuma palavra com quem não tem interesse em ouvir.

Sou aquela que nunca fui: ando irritada, reclamando de tudo, xingando, impaciente, chegando a perder muito tempo com raiva. Não vejo luz no fim do túnel e tenho medo de tudo. Parei de acreditar em milagres, sonhos e planos. Perdi um pouco da fé. E andei falando: isso tudo era balela apenas para iludir as pessoas.

Andas despertando o que de pior há em mim. E não tens direito nenhum de reclamar desse ser que eu só consigo ser com você. Foi assim que escolhestes quando optasse por não me ouvir, nem me ver, nem sentir. Quando escolhes que eu seja aquela que queres, você tem o meu pior. E não é de propósito. Juro que não. Mas é o que acontece quando se deixa de ser quem é.

E quem eu sou? Tenho buscado o tempo inteiro essa resposta. Uma busca que quando penso que está perto de ser concluída surge mais uma ponte para eu construir (porque elas nunca vem para eu atravessar). Tenho mania de inventar explicações pra tudo. Estudo casos, acho as raízes dos problemas, escuto todos os lados. Dou direito a defesa e entrego o veredito final. Confabulo histórias para explicar fatos. Invento teorias. Manipulo contos reais. E ainda tenho respostas para as perguntas sem respostas dos amigos. Mas, justamente eu, que tanto invento e explico, não encontro as minhas respostas. Não consigo me achar nessa confusão que se forma dentro da minha cabeça.

Porque quando já não basta o mundo de fora em conflito, o mundo de dentro resolve entrar em pane. Curto circuito. Uma armadilha. Fios descapados com água espalhada por todos os lados. Qualquer movimento e várias correntes elétricas são recebidas pelo meu corpo.

Termino presa. Presa por grades invisíveis que me impedem de continuar. De ver adiante. As janelas abertas não conseguem nem atrair minha curiosidade. Torno-me um pássaro preso, que acaba aceitando que ali dentro é melhor que o mundo lá fora. Medo de cruzar a porta aberta. Não consigo alçar voo. E olha que ironia: logo eu que sempre andei voando por aí.

E é todo esse invisivel que sufoca. É como se eu não estivesse vivendo a minha vida. Como se estivesse parada no tempo, que não para. Eu queria viver os meus erros, arcar com as consequências dos meus atos, mas estou o tempo todo respondendo pelos erros dos outros, tendo que solucionar os problemas dos atos dos outros.

Entenda que o meu silêncio é apenas porque isso dói em mim. Não querer falar é o fato de assumir que não tô pronta para argumentar sobre esse assunto agora, ainda machuca. Também não sei se um dia estarei pronta. Isso é apenas para ser vivido e não explicado.

Ando cansada de coração apertado que não seja por amor. Cansada de sentir coração chorar. Não vejo a hora disso tudo acabar. E será que vai acabar?

Talvez precise de férias. De todos, de tudo e de mim. Talvez eu só precise organizar essa bagunça na minha cabeça, lavar a alma e conversar com o mar. Reparar os fios descapados e retirar essa água do chão.

E desculpa, mas nos meus planos você não está mais ao meu lado. Tá deixando de fazer parte do meu futuro. 


Espero que Agosto leve toda essa confusão consigo. E Setembro possa me trazer flores com cheiros de sorrisos. Que traga muito mais cores para os meus dias.






Mais um texto da série: esqueça depois de ler. 
(acho que inventei essa série, só pra lembrar que amanhã eu vou voltar a acreditar em sonhos, sorrisos e abraços, que antes de dormir eu vou pensar, rezar e agradecer, vou ter fé)

sexta-feira, 20 de julho de 2012

tesouros

A-M-I-G-O-S.

Eu queria ter as mais lindas palavras para dizer a vocês no dia de hoje. Queria poder escrever tudo o que sinto. Mostrar o cantinho que cada um tem no meu coração. Mas eu que tanto gosto de falar e escrever, perco as palavras quando quero falar desses sentimentos.

Tem muita gente que entra na nossa vida. E não é por acaso. A partir do momento que entram na nossa vida, começam a fazer parte da nossa história. E se ficar por apenas um dia, será um dia inesquecível. E eu me sinto muito sortuda, por ter tido a chance de conhecer tanta gente boa, queridas e especiais. Que dividem os ensinamentos e aprendizados. Que dividem segredos, histórias, risadas, choros, brincadeiras, alegrias, sonhos. Como é bom ter com quem dividir os momentos.


Tenho amigos de todo tipo e todo gosto. Uns tão diferentes que penso: como é que podemos ser amigos?! E outros tão parecidos que sei exatamente o que vão dizer quando os conto alguma coisa. E eu gosto dessa mistura. São as diferenças que fazem tudo dá tão certo.


Hoje eu paro pra pensar nos amigos que tive e nos que tenho. E um sorriso fica estampado no rosto. Em alguns momentos, os olhos se enchem de lágrimas. Lágrimas de saudade e de alegria. Como foi e é bom ter-los comigo. Ter tantas lembranças boas. Ter um presente maravilhoso e imaginar um futuro juntos.


Com o tempo as pessoas vão seguindo seus caminhos, que ás vezes chegam a ser diferentes dos nossos. O tempo faz com que não nos encontremos mais com tanta frequência, as ligações ficam mais distantes de uma pra outra, mas o lugarzinho deles está sempre guardado.



Aos amigos que não vejo mais, saibam que continuo com o mesmo carinho. E lembro de todos os nossos momentos, morrendo de saudade. Vocês foram muito especiais. E é sempre muito bom quando nos encontramos "por acaso" e posso ver que  o abraço e o carinho são sempre os mesmos. À vocês, obrigada por ter estado tão presentes no meu passado.


Aos meus amigos novos, sou muito feliz por ter cruzado o meu caminho com o de vocês. Ás vezes, a vida nos leva por caminhos que não escolhemos, nem queríamos. Mas em troca nos apresenta à pessoas maravilhosas, que dividem conosco aquele momento e ganham espaço na vida da gente. À vocês, obrigada por fazerem e me deixarem fazer parte dessa trajetória.


Aos meus amigos de sangue, é uma alegria ter na família pessoas que você pode contar. São os primeiros amigos que temos. São aqueles que começamos a dividir histórias, travessuras. Tem pais amigos, irmãos amigos, primos amigos. Tem tio, avós, amigos. Com eles, ás vezes, brigamos mais. Juramos, que nunca mais nos falaremos e que não seremos mais amigos. Mas no próximo almoço em família, o amor já tomou conta de tudo e já estamos todos juntos rindo, e brigando, novamente. À vocês, obrigada por todos os natais, pascoa, feriados, fins de semanas, madrugadas, por todos os momentos. Saibam que é maravilhoso estarmos juntos.


Aos meus amigos adotados, esses são aqueles que não precisaram ter o mesmo sangue para serem da família. São os irmãos que não moram juntos. E nem por isso brigam menos. Mas o amor, carinho e cuidado é o mesmo. E já são tantos anos de amizade. De histórias, segredos, conquistas, sonhos compartilhados. Lágrimas enxugadas, abraços trocados. Que minha própria família, os chamam de família. Tenho uns amigos, que até a avó sabe o que gosto de comer. E mesmo quando eu chego de surpresa, perto da hora de almoço, vai lá e faz o que eu gosto. É claro que não precisa nada disso, mas eu fico feliz com todo o cuidado. E me sinto em casa, na casa deles. Á vocês, meu muito obrigada é pouco para o tanto que representam. Sou tão feliz por te-los como irmãos. Vocês são uma verdadeira dádiva de Deus.


Aos meus amigos virtuais, é muito legal ver que ideias, opiniões e gostos são capazes de unir pessoas de diferentes lugares e mesmo assim ser bacana ter com quem dividir palavras. E tem também aqueles amigos reais, mas que só conseguimos manter a amizade virtual. Um viva a tecnologia que nos ajuda a aproximar pessoas, que o tempo, ás vezes, separa. Á vocês, obrigada por todas os escritos. É sempre bom dividir ideais.


E aos meus amigos que não se fazem mais presente nesse mundo, quanta saudades que sinto. Que vontade de abraçar, de rir junto, conversar. É impossível não deixar uma lágrima escorrer, mas ela vem junto com um sorriso. Que bom ter te conhecido. E toda essa saudade é a prova de que tudo valeu a pena. E essa saudade é todo o amor que ficou. Que a morte não conseguiu levar. Á você, querida e eterna Lulu, como foi bom te ter na minha família, como foi bom sermos uma família. Agradeço a Deus, por ter nos dado de presente uma pessoa como você. Mesmo que tirada de nós tão rapidamente. Era muito bom dividir segredos, contar dos paquerinhas, ir caminhar na orla, e falar das coisas aquarianas que nada como outra aquariana pra entender bem. Um dia, todos nós iremos nos reencontrar.


Enfim, no dia de hoje eu só posso agradecer a Deus e a todos vocês. Obrigada por todo o amor, carinho e atenção. Cuido do jardim de vocês em meu coração. Acalento a saudade e guardo as lembranças. É muito bom ter-los em minha vida. É muito bom ser eu, não precisar mudar. Porque amizade é isso. São pessoas que se unem apesar dos defeitos.


Meu feliz dia do amigo para vocês!





 









P.S.: Perdoem-me se não tens fotos aqui. Não quer dizer que não lembrei de vocês ou não sejam especiais. Talvez suas fotos estejam no outro computador, ou talvez reveladas, ou talvez jã faça bastante tempo que não nos vemos. rs


Deixo duas músicas para vocês.



sábado, 14 de julho de 2012

delírios de um sábado

Morar sozinha é deixar a casa ser invadida pelos meus sorrisos, minhas alegrias, meus dramas, minhas conversas intermináveis. Minhas músicas acompanhadas de dancinhas sem sentido. Pelos meus discursos ensaiados na frente do espelho. É fazer do controle meu microfone. Pular em cima da cama e fazê-la de palco. É ter uma cama de casal só pra mim e todas as infinitas coisas que levo, junto com todos os meus travesseiros.

É deixar a casa ser invadida pelo cheiro de quando cozinho. É poder comer o sorvete no pote e não precisar dividir o chocolate. É o telefone tocar na hora do banho e sair molhando tudo para atendê-lo, porque esqueceu a toalha.

É o silêncio. É abrir as janelas e sentir o vento. É acampar na varanda pra ver o sol nascer, se por e a lua chegar. É a casa ser invadida pelas minhas insônias. É ter as minhas coisas espalhadas pelo chão. É me esparramar no sofá, carregando o edredom para ver um filme ou qualquer coisa banal. É a minha bagunça do jeito que eu deixar.

Mas é também ter que limpar, lavar, passar e contas pra pagar. É a casa ser tomada por choros e soluços. E ser retomada pela coragem e esperanças. É poder ver cada conquista e sonho pendurados no varal invisível, ou visível. 

É buscar limites e ser ilimitada. É rir das minhas besteiras. Deixar a casa ser invadida pela minha saudade. É se arrumar pra sair, ou passar o dia de pijama, e ouvir cada cantinho da casa dizer: estás linda! Curtir a própria companhia. É se sentir bem, sendo quem se é.




É receber uma visita inesperada. Justo quando você não está com a roupa apropriada e cabelo despenteado. E quando abrir a porta aquela casa que sempre foi tão feliz tomada de você. Agora é também tomada não mais pelos meus sorrisos, mas pelos nossos sorrisos. Pelas nossas músicas favoritas e dancinhas descoordenadas. Pelos nossos olhares, conversas, abraços e beijos, sonhos e planos. 

O sofá e o edredom são divididos, junto com a pipoca para vermos o filme, ou tentarmos vermos, porque eu estou sempre falando sobre alguma coisa. A casa é tomada pelas nossas besteiras. O cheiro da nossa comida na cozinha que nem sempre dá certo, mas é o preparo que é divertido, jantar feito a quatro mãos. É ter o armário dos chocolates invadido e pote de sorvete dividido.

É ter você me falando o que devo fazer e achando graça de toda a minha desobediência. É você ouvir todas as minhas teorias infundadas, mesmo sem entender uma palavra do que digo. É prestar atenção quando você fala, mesmo que eu não entenda nada de futebol. É não fazer nada e ter os melhores momentos, porque não fazer nada acompanhado pode ser muito divertido. É acamparmos na varanda para ver a lua, nomear as estrelas e ver para onde vão as estrelas cadentes. Fazermos os nossos pedidos. E depois rimos daquilo que fazemos. É morrer de saudade quando você pensar em ir. 

Deixar o silêncio se instalar porque aprendemos a conversar com o olhar. É ser livre, mas querer ficar junto. É rir das nossas histórias. É ter nas paredes a nossa história dividida. É permitir que minha cama seja invadida. É ter nossas coisas espalhadas pela casa. Nossos sonhos divididos.

Deixar de ter as minhas coisas e começar a ter as nossas. E mesmo assim poder ser tão eu. Porque quando chegastes de surpresa invadindo o meu mundo, (só invadir o coração e os pensamentos era pouco) eu disse que não estava esperando, poderia ter me arrumado. E você disse: gosto quando você é apenas você. Olhei-o e pensei: você me dá vontade de continuar.

As portas da minha casa sempre estarão abertas para o amor. Porque o meu mundo vai sempre ser invadido por um amor. E mesmo assim eu vou poder continuar sendo eu. Só que misturada em nós.

Afinal, já dizia o poeta, liberdade na vida é ter um amor para se prender.





segunda-feira, 2 de julho de 2012

descalça

Gosto de olhar a lua. Sempre gostei. Esses dias a observando, percebi que a lua cheia é diferente no inverno. Não costuma nascer como no verão, aquela bola amarela que logo cedo vem surgindo no céu. O tamanho também é diferente, costuma ficar um pouco menor. 


Parece que as estrelas se escondem. Porque olho pro céu e pouco as vejo. As nuvens também costumam atrapalhar a lua. Nem todos os dias permitem que ela se mostre. E quando permitem, ás vezes, surgem na frente para atrapalhar um pouco. 


Tenho essa mania de andar olhando pro céu. Talvez esteja aí a explicação de eu andar levando tantas topadas e viver quase caindo. Mas eu gosto de observar o céu. A cada minuto que você olha tem uma paisagem nova. E se a paisagem tiver a mesma, você enxerga coisas que ainda não tinha visto. Ver desenhos nas nuvens que ainda não tinha descoberto. 

Sinto falta de pisar no chão. Mas no sentido de pisar mesmo. Sentir o chão. É quase obrigatório tirar os sapatos na areia. Pés calçados e areia não combinam. Gosto de andar descalça. Sempre gostei. 

E quando tiro os sapatos, ando na areia e observo o céu, medito. E vou pensando. Pensando em tudo, mas ao mesmo tempo em nada. E acho que Deus deve ficar mais feliz comigo enquanto estou pensando que rezando, porque assim, consigo entender o que ele me fala. 

Muitas vezes, é assim que encontro as respostas pra aquilo que estou procurando. É assim, que consigo me encontrar. E nessa coisa de me encontrar eu descobri que o frio que andava sentindo não era só o do inverno. Mas era também um coração que tá pedindo pra ser aquecido. E não sei se por mim. Mas talvez por amores. Porque ele bate melhor quando está amando (mesmo que assim ele tenha ritmos descompassados, mas gosta de ficar assim).



Não sei se o vento, o céu, o frio, o inverno, amor... mas tem algo mexendo comigo. 

Me inspira. 






E ontem lembrei de uma frase que li e fez sentido: Existe sempre alguma coisa ausente que me incomoda.





(Essa lua é do verão. E foi uma das mais lindas que já vi)






Tendo a lua - paralamas do sucesso
Eu hoje joguei tanta coisa fora
Eu vi o meu passado passar por mim
Cartas e fotografias gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim
O céu de Ícaro tem mais poesia que o de Galileu
E lendo teus bilhetes, eu lembro do que fiz
Querendo ver o mais distante e sem saber voar
Desprezando as asas que você me deu
Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu
Eu hoje joguei tanta coisa fora
E lendo teus bilhetes, eu lembro do que fiz
Cartas e fotografias gente que foi embora
A casa fica bem melhor assim
Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu
Tendo a lua aquela gravidade aonde o homem flutua
Merecia a visita não de militares,
Mas de bailarinos
E de você e eu.