Ás 7h da matina e tem gente que esqueceu o bom dia e começou a perturbar. Não respeitou nem meu silêncio enquanto abro os olhos e tento levantar. Ainda querendo acordar os pensamentos com boas vibes para o longo dia que teria.
O que você tem? Aconteceu alguma coisa?
Duas perguntas que me irritam e intrigam (quando vindas de você). Simplesmente, porque, primeiro: se realmente quisesse saber o que eu tinha, não perguntaria, era só prestar atenção em mim. Segundo: como falar o que tenho se nem eu mesmo sei? Mil coisas passam pela minha cabeça. E todas elas me incomodam. E terceiro: se você tivesse interesse em saber de mim, não acreditaria tão facilmente quando eu digo que tá tudo bem, mesmo com a voz soando diferente, sorriso forçado e o olhar pra baixo. Prestaria também atenção em você. É aquele clichê: quem não consegue compreender um olhar, tão pouco entenderá uma longa explicação. E eu não acordei disposta a gastar mais nenhuma palavra com quem não tem interesse em ouvir.
Sou aquela que nunca fui: ando irritada, reclamando de tudo, xingando, impaciente, chegando a perder muito tempo com raiva. Não vejo luz no fim do túnel e tenho medo de tudo. Parei de acreditar em milagres, sonhos e planos. Perdi um pouco da fé. E andei falando: isso tudo era balela apenas para iludir as pessoas.
Andas despertando o que de pior há em mim. E não tens direito nenhum de reclamar desse ser que eu só consigo ser com você. Foi assim que escolhestes quando optasse por não me ouvir, nem me ver, nem sentir. Quando escolhes que eu seja aquela que queres, você tem o meu pior. E não é de propósito. Juro que não. Mas é o que acontece quando se deixa de ser quem é.
E quem eu sou? Tenho buscado o tempo inteiro essa resposta. Uma busca que quando penso que está perto de ser concluída surge mais uma ponte para eu construir (porque elas nunca vem para eu atravessar). Tenho mania de inventar explicações pra tudo. Estudo casos, acho as raízes dos problemas, escuto todos os lados. Dou direito a defesa e entrego o veredito final. Confabulo histórias para explicar fatos. Invento teorias. Manipulo contos reais. E ainda tenho respostas para as perguntas sem respostas dos amigos. Mas, justamente eu, que tanto invento e explico, não encontro as minhas respostas. Não consigo me achar nessa confusão que se forma dentro da minha cabeça.
Porque quando já não basta o mundo de fora em conflito, o mundo de dentro resolve entrar em pane. Curto circuito. Uma armadilha. Fios descapados com água espalhada por todos os lados. Qualquer movimento e várias correntes elétricas são recebidas pelo meu corpo.
Termino presa. Presa por grades invisíveis que me impedem de continuar. De ver adiante. As janelas abertas não conseguem nem atrair minha curiosidade. Torno-me um pássaro preso, que acaba aceitando que ali dentro é melhor que o mundo lá fora. Medo de cruzar a porta aberta. Não consigo alçar voo. E olha que ironia: logo eu que sempre andei voando por aí.
E é todo esse invisivel que sufoca. É como se eu não estivesse vivendo a minha vida. Como se estivesse parada no tempo, que não para. Eu queria viver os meus erros, arcar com as consequências dos meus atos, mas estou o tempo todo respondendo pelos erros dos outros, tendo que solucionar os problemas dos atos dos outros.
Entenda que o meu silêncio é apenas porque isso dói em mim. Não querer falar é o fato de assumir que não tô pronta para argumentar sobre esse assunto agora, ainda machuca. Também não sei se um dia estarei pronta. Isso é apenas para ser vivido e não explicado.
Ando cansada de coração apertado que não seja por amor. Cansada de sentir coração chorar. Não vejo a hora disso tudo acabar. E será que vai acabar?
Talvez precise de férias. De todos, de tudo e de mim. Talvez eu só precise organizar essa bagunça na minha cabeça, lavar a alma e conversar com o mar. Reparar os fios descapados e retirar essa água do chão.
E desculpa, mas nos meus planos você não está mais ao meu lado. Tá deixando de fazer parte do meu futuro.
Espero que Agosto leve toda essa confusão consigo. E Setembro possa me trazer flores com cheiros de sorrisos. Que traga muito mais cores para os meus dias.
Mais um texto da série: esqueça depois de ler.
(acho que inventei essa série, só pra lembrar que amanhã eu vou voltar a acreditar em sonhos, sorrisos e abraços, que antes de dormir eu vou pensar, rezar e agradecer, vou ter fé)
Um comentário:
Puro sentimento... *.*
Seus textos são tão bons que chega fico tristinha quando vejo q estão acabando... Dá vontade de ler mais e mais...
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