Subi na cadeira, no muro, fui para o alto da montanha. Parei na beira do precipício. E era tentador a vontade de me jogar, de voar. O vento ali parecia convidativo.
Mas lá do alto eu podia ver todo o mundo. Todo o meu mundo. E eu via sempre pessoas correndo de um lado para o outro. Estavam o tempo inteiro ocupadas. Nunca prestavam atenção em quem estava ao seu lado. Não havia tempo para um bom dia, nem um sorriso amarelo. Lembravam-se apenas de olhar para o relógio, para verem quanto tempo tinham, se daria tempo, se estavam atrasadas e para reclamar do trânsito que estava um caos.
Buzinas ensurdecedoras. O sinal fechava na hora em iam passar. Era um um jeito da vida dizer, PARE. Mas eles não entendiam. Ligavam o rádio apenas por hábito, não prestavam atenção quando a música dizia: "hoje o tempo voa, escorre pelas mãos, mesmo sem se sentir, que não há tempo que volte, vamos viver tudo o que há pra viver, vamos nos permitir." Nada os fazia parar.
E na beira do precipício, o vento fazia barulho, bagunçava meu cabelo e a vontade de me jogar, aumentava. Tentar voar na direção que o vento seguisse. Mas foi esse vento que me derrubou e me deixou caída, lá no alto, olhando para o céu. E aí eu percebi o quão estrelada estava aquela noite. Quantas luzes brilhavam naquele dia.
Aquelas estrelas me fizeram lembrar que no final a guerra sempre vai ser você contra você mesma. As pessoas vão te machucar. E não importa qual o grau de intimidade e importância que elas tenham com você. E talvez você também as machuquem. Mas a guerra sempre será de você com você.
Oras vai precisar controlar a raiva. Outra hora precisará controlar tua tristeza, alegrias e sorrisos. Vai precisar guardar a tua dor, para sofrer na hora em que todos forem dormir.
Quando mais precisar de alguém, é quando mais vai se sentir sozinho. Não venham me falar que é nessas horas que se descobre com quem contar, porque não é. É nessas horas que você vai se descobrir que só resta você e você.
E veja que ironia: do alto da montanha vejo tanto gente.
Mas enquanto eu observava o céu, uma estrela cadente passou. E talvez por eu está sozinha foi que pude vê-la. Eu não sabia o que pedir. Foi quando a lua me fez lembrar que mesmo sozinha, eu posso iluminar.
Aprendi desde cedo que na vida sempre vai ter alguém pra te colocar pra baixo. Alguém pra te fazer desistir dos teus sonhos. Alguém pra te dizer que você não vai conseguir. Sempre existiram pessoas assim. Porém, o mais triste, é quando se descobre que algumas dessas pessoas convive com você. Ás vezes, estão dentro da tua casa.
Eu descobri que as mesmas pessoas que um dia me levaram a igreja e me apresentaram Deus, foram as mesmas que me fizeram perder a fé. Aquelas mesmas pessoas que me ensinaram a ter esperanças, a mataram dentro de mim. Me ensinaram a sonhar e destruíram os meus sonhos. Me falaram do amor, me ensinaram a amar e hoje esqueceram o que é amor.
São sempre essas mesmas pessoas que me mostraram o mundo, que me tiraram dele. Fizeram eu me perder. Fizeram eu esquecer onde estou, o que quero e quem eu sou.
E aí eu me pergunto: onde estou e que mundo é esse?!
Posso responder que o mundo lá fora me ensinou muita coisa, mas foi aqui do lado de dentro que eu aprendi muito mais.
Então, decidi que não quero ser mais um nessa multidão de pessoas ocupadas. Quero poder iluminar mesmo que sozinha. Quero que ao chegarem perto de mim, eu possa transmitir o amor, mesmo quando só trouxerem indiferença, arrogância e maldade.
Que a minha luz seja tão grande, tão forte e que te faça cegar, para te fazer parar. Para que veja que há sempre um algo mais. Para que se lembre que o teu maior inimigo é você mesmo. Para que olhe no espelho e descubra que olhar pra dentro pode ser a solução. Para que mesmo sozinho você seja capaz de amar. Apesar de tudo, apesar de tudo.
Olha a luz que brilha de manhã/ Saiba quanto tempo estive aqui/ Esperando pra te ver sorrir/ Pra poder seguir/ Lembre que hoje vai ter pôr do Sol/ Esqueça o que falei sobre sair/ Corra muito além da escuridão/ E corra, corra!/ Não desista de quem desistiu/ Do amor que move tudo aqui/ Jogue bola, cante uma canção/ Aperte a minha mão/ Quebre o pé, descubra um ideal/ Saiba que é preciso amar você/ Não esqueça que estarei aqui/ E corra, corra!/ Azul, vermelho/ Pelo espelho/ A vida vai passar/ E o tempo está no pensamento