sábado, 30 de outubro de 2010

simplicidade

O telefone toca. Do outro lado uma voz infantil me chama pra sair. Eu topo. Visto uma roupa e vou pro mundo. O que me esperava? O que iria acontecer? Eu não fazia a mínima ideia. (eu gosto de não saber o que vai acontecer, outras vezes o não saber me angustia, mas isso é conversa pra outro dia) Saio de casa e dou uma olhadinha pro céu. Vejo a lua linda que está lá, olhando pra mim, induzindo-me a fazer muita coisa e me inspirando, fazendo também com que eu fale descontroladamente minhas teorias malucas e fazendo promesas das quais não duraram nem uma hora (muitas eu já faço rindo, porque sei que são apenas da boca pra fora, ás vezes até eu tenho dificuldades de me levar a sério). Depois vieram os micos, as brincadeiras de criança, a nostalgia. Ahh as lembranças, doces e queridas lembranças.

Enfrento filas no McDonalds por um mísero sanduiche simples e um sorvete. Peço para viagem. Entro no carro entrego para as crianças seus pedidos e voltamos para casa felizes, já combinando o proximo fim de semana. Que dessa vez, sairiemos de casa mais cedo, iremos para outros lugares e aproveitaremos mais. No geral, faremos algo programado (coisa que eu não sei se dará certo, já que eu não sou programada, enqueceram de colocar meu manual de instrução). Ligamos o som e voltamos cantando bem alto nossas músicas queridas. Tudo muito simples, sem nada demais. Poderia até dizer que nada aconteceu mas, dentro de mim tinha acontecido muita coisa. Acredito que foi culpa da lua, como um pozinho jogado em mim, eu estava no auge da minha alegria, e ter que voltar pra casa? Justo agora que eu estava a 220v? Isso não foi nem um pouco justo.

São esses pequenos momentos que me fazem ter certezas de algumas coisas. Eu vi a lua cheia, eu vi o mar, eu vi a lua fazendo luz no mar, eu vi as pessoas, eu senti o vento. Eu vi o quanto as coisas simples me fazem bem e o quanto eu as adoro (sempre soube que eu preciso de pouco pra ser feliz). Depois disso ter que voltar pra casa? Eu agora queria tocar na areia, cantar uma música bem alto e dançar com a lua.
Tem alguma coisa mais querida que a liberdade (ou pelo menos a sensação de liberdade)?  Não, não.
Fico feliz em ser livre. E em todos os sentidos. Ser livre de si, do amor que possa sentir, (eu sou totalmente a favor do amor, até daqueles desenfreados, desmedido, incondicional, mas até dele você tem que ser livre. Ame, mas saiba ser livre desse sentimento). Saiba ser livre, das suas teorias, dos seus conceitos, mude, recrie-se. Pinte o 7, faça graça, dance sozinha, conte estrelas, sorria dos seus pensamentos, quando sua musica favorita tocar aumente o som e cante bem alto (mesmo que a letra esteja errada). Aprenda a viver e ser livre. Eu não sou digna de servir de exemplo pra ninguém, mas me pede um conselho e terá o melhor.

Quero ter histórias pra contar. São dessas pequenas coisas que eu quero me lembrar amanha.
 

 O pecado me atrai. O que é proibido me fascina. (Clarice Lispector)


Recria tua vida sempre, sempre. Remove pedras e planta roseiras e faz doces./ Recomeça." (Cora Coralina)

Do lado de cá - chimarruts
Se a vida às vezes da uns dias de segundos cinzas
e o tempo tic taca devagar
Põe o teu melhor vestido, brilha teu sorriso
Vem pra cá, vem pra cá
Se a vida muitas vezes só chuvisca, só garoa
e tudo não parece funcionar
Deixe esse problema à toa, pra ficar na boa
Vem pra cá

Do lado de cá, a vista é bonita
a maré é boa de provar
Do lado de cá, eu vivo tranquila
E o meu corpo dança sem parar
Do lado de cá, tem música, amigos e alguém para amar
Do lado de cá

quarta-feira, 13 de outubro de 2010

simplesmente eu

Ás vezes a gente perde tanto tempo procurando por algo, que está o tempo todo ali, dentro de nós. E simplesmente não conseguimos ver. Porque? Porque é tão obvio que preferimos nem olhar. Pensava: se eu era quem queria ser, se estava feliz desse jeito. A resposta foi por muitas vezes umas interrogações. Mas, porque há dúvidas? Eu estava bem. E esse está bem me causava um pouco de medo. Eu tinha medo do comodismo, de ter me adaptado a situação e por isso está bem. Mas hoje eu pude ver que aquela que eu buscava ser, era exatamente quem eu sou. E estava ali o tempo todo. Esperando apenas que eu descobrisse isso.


Em alguns momentos fazemos questionamentos, procuramos respostas, temos dúvidas. Mas na verdade, é só olhar pra dentro.


Definitivamente, eu não nasci pra mentir. E por que? Porque minha consciencia não deixa, ela é uma traíra e sempre me entrega. Eu simplesmente não sei viver fingindo. A mentira é mais ou menos assim: você conta uma história hoje pra se livrar de algum problema e você vai ter que pra sempre continuar falando essa história, como se ela fosse verdadeira, falando coisas que nao aconteceram. Meu pai nunca me deixou ir pra baladas, shows, essas coisas que eu adoro e eles simplesmente não gosta. E eu mesmo sabendo que receberia um não (de inicio, depois eu dava um jeito de convence-lo) sempre ía pedir (e continuo pedindo). Não ía escondido. Primeiro: eu tinha medo que acontecesse alguma coisa ou de encontrar algum conhecido dele, ele acabaria perdendo a confiança em mim. E depois eu não poderia falar: ahh passei o sabado todo em casa pai. Quando na verdade estive me divertindo muito, tinha as melhores historias pra contar e os momentos mais incriveis. Como eu faria pra fingir que nada disso aconteceu? Como? Mentir? Eu não sei fingir. Não vivo fingindo. É por isso que nao me dou bem com a mentira.


Eu não nasci pra ser programada, não nasci para as rotinas. Essas coisas de arrumar mala antes, organizar festinhas antes, pensar antes, tudo isso nao foi feito pra mim. Gosto da pressão da ultima hora, do será que vai dá tempo? Do nervoso. Sempre quando isso acontece eu juro que da proxima vez farei antes. Mas chega a proxima vez e eu faço exatamente igual, deixo pra última hora. Eu nasci desprogramada e é assim que eu gosto de ficar. E quando eu ligar de repente fazendo um convite pra uma caminhada na praia  ou uma viagem não estranhe, joga as coisas na mala e vamos juntos (eu sou uma mestra nesse negócio de jogar tudo na mala, mesmo quando eu coloco tudo arrumadinho, por algum motivo irei bagunçar tudo). Prometo grandes momentos. As minhas melhores histórias não forao programadas, simplesmente acontecerão.


Ahh e eu nao nasci pras respostas. Por mais que eu as busque o tempo todo eu tenho um caso amoroso com as perguntas. (quando eu acho que já tenho a resposta, mesmo sem querer, vou criar logo outra perguntar, e aí virá novos questionamentos, novas dúvidas e assim a mente não para nunca).


 




ser a mesma sempre e todo dia diferente, vai entender!?