segunda-feira, 26 de setembro de 2011

o que sobrou da tsunami

Um tsunami tem o poder de destruir muita coisa. Deixa gente desabrigada, cidades destruídas, pessoas sem rumo. E tsunamis de emoções também nos deixa com a mesma sensação, parece que perdemos tudo. Ficamos tãoooo frágeis. E não é de propósito. É só porque ficamos um pouco na defensiva, tentado nos proteger para que não aconteça outro ao mesmo tempo em que ficamos esperando por mais um a qualquer momento. 

Depois de tentativas um pouco frustradas de proteção, partimos para a parte do tentar entender. O que também pode ser algo muito frustrante, porque procuramos explicações e não existe nada muito claro. Nada que justifique ou nos faça compreender. E é pelo simples fato de que não existem explicações. E nem culpados. Ficamos repassando o momento na mente e revendo, revendo e pra que? Já passou. Agora é levantar a cabeça, erguer as mangas e partir pra reconstrução.

A parte da reconstrução é a mais importante e a mais fantástica. Porque é aí que você finalmente começa a entender. Percebe que tudo começa a fazer sentindo. Todas as outras etapas anteriores são compreendidas na reconstrução. Mas não, não dá pra pular etapas. Tudo é um ciclo que ás vezes pode ser muito rápido, que você nem percebe que passou por eles, ou é bem dolorido e longo. Mas tudo faz parte. É o tal do amadurecimento.

Quando começamos a aceitar as coisas e pessoas como elas são, tudo vai ficando mais fácil. A vida flui mais leve, fica mais simples. É lógico que isso não acontece da noite pro dia. É um desafio diário. Temos a mania de pensar no que varemos amanhã e esquecemos-nos de fazer hoje. Quero mudar o mundo, salvar o planeta e deve ser por isso que ás vezes as coisas se complicam. E a questão tá em que: você pode fazer a sua parte, mas nem tudo depende só de você. As pessoas não mudam porque os outros acham que suas atitudes são erradas. As mudanças só acontecem quando o outro quer que elas aconteçam. 

E quando começamos a aceitar que certa coisa não se pode mudar, e que nem tudo depende de nós, começamos a viver melhor.

Sabe o mito da caverna? Existem pessoas que realmente não tem o conhecimento e acreditam que a vida é apenas aquilo que conseguem ver pela pouca luz. Mas tem gente que sabe que existe muita mais que aquilo que se tem ali, só que quer permanecer na caverna. E por mais que nos doa ou nos deixe inconformados, não podemos fazer absolutamente nada. Pois é questão de escolha. E o teu único dever é respeitar.



Tsunamis sempre vão existir e não importa o que você faça. E depois que se passa por tudo isso a melhor coisa é olhar pro céu e agradecer. Agradecer por simplesmente tudo. Inclusive pelos tsunamis, pois são as oportunidades de crescer. Olhar o mundo com os mesmos olhos, mas enxergando de outra forma.







(Uma vez uma amiga me disse: e quem falou que a vida era fácil? Isso fez todo sentindo no momento)




Ah ah ah um dia tudo volta para o seu lugar
Ah ah ah um dia vai ficar como devia estar
vai ficar como devia estar
(É preciso cantar o refrão bem alto e dançando como se ninguém tivesse olhando)

quinta-feira, 15 de setembro de 2011

tsunami

Não sei por onde começar. Não sei o que escrever. Só sei que preciso escrever. E é urgente!

"Aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as coisas que eu possa, e sabedoria para saber a diferença." Ontem eu li isso e hoje fez sentido. Acho que acabei acreditando que podia salvar o mundo, que esqueci que de certas coisas eu não posso fazer nada.

Sabe tsunami? Que começa a se formar lá no fundo do oceano e vem se aproximando da costa, e alcança uma altura gigante, e saí levando tudo o que ver pela frente?! Pois, acho que foi assim que tudo aconteceu. Não começou hoje. A minha tsunami vem sendo formada a dias, mas parece que hoje chegou a costa. Mesmo sendo esperada, chega de repente. Passa rápido e deixa estragos gigantescos. Começamos a nadar pra tentar sair. Tentamos segurar em qualquer coisa que possa nos dar apoio. Não adianta. Nada é seguro. Não dá pra nadar contra a correnteza. Não dá pra ter apoio, nada é fixo. Só resta esperar e ver o que sobrou.

Morri de medo de surtar. Juro como eu tive. 

Meu estomago começou a pedir comida, mas meu cerebro esqueceu de enviar os estímulos da vontade de comer. Depois minha cabeça doía, tive tonturas. Devia ser a fome, mas não dá pra engolir nada. Só dá vontade de ficar na cama. Na doce ilusão que estou cercada de proteção. Qualquer um que tenta atravessar os lençóis, dispara o alarme. Dá vontade de chorar.

E nessas horas eu esqueço de tudo o que eu acredito.Jogo fora todos os meus sonhos. So pra depois ter todo o trabalho que recolher os cacos e cola-los. Porque eles não vou morrer. Vão continuar lá, esperando eu trazer a cola. Por mais que naquele momento eu desacredite de tudo. Já percebeu que tem sentimentos e vontades, que são teimosos? Mandamos embora, mas não vão. Ficam na porta. Esperando. Porque sabem que um dia a gente os acalenta e traz de volta pra nós. 


Dentre as muitas coisas que esqueceram de colocar na minha embalagem, ficou faltando a dose extra de sangue de barata. Ou talvez - e é o que eu acho mais provável- eu tenha usado toda a dosagem extra. Também ficou faltando a mente evoluída. Aquela que tudo entende, que tudo espera passar e que tudo compreende. Certas coisas não consigo entender. E olha que já estou até começando a acreditar que a errada da história sou eu. Talvez eu tenha estado errada o tempo todo. Porém, creio que ainda não tenho certeza dos erros. Ainda não estou pronta para ser o erro. E se é que sou mesmo. 

Descobri que não sei de mais nada. A tsunami levou minhas teorias. Levou meus escritos. Enterrou minhas provas. Só me deixou o vazio e a pergunta: aonde quero chegar? Não sei mais quem sou e nem pra onde pretendo ir. Meu nariz não aponta mais nada. E o vento parou de soprar o caminho.

Seria pedir demais, eu ter apenas os meus 20 anos? Crescer de acordo com a idade cronologica? Pedir mais irresponsabilidades, já chega a ser absurdo, ne?! E se eu jogar tudo pro alto? Esses problemas não são meus. Não deveriam está sob minha responsabilidade. Até porque eu não busquei isso. E nem assinei contrato de responsabilidades extras antes da hora. 


Eu só sei que doí. Mas não sei onde dói. Machuca, arde, queima, chega até a sangrar.  E não tem anestesia pra nova tatuagem que está surgindo, mesmo sem permissão. Só me resta esperar. Faço esforço pra passar mas não depende só de mim. E continua doendo. É a dor da alma. É a dor do choro. É a dor da lágrima que não consegue cair, se cristaliza na queda. É a dor pra qual não existe remédio. Nem rivotril cura.

Eu faço de tudo pra ser forte. Faço mais ainda pra não cair. Mas tem horas que não dá. Bate a fraqueza e caio. Ás vezes penso ser forte, ás vezes acredito que sou um fracasso. Mas eu paro e lembro que sou apenas humana e lembro de uma frase que diz: "Você só sabe quão forte é, até sua única opção é ser forte". E talvez mesmo quando eu pareça fraca eu ainda seja forte. Talvez não ter surtado até aqui, seja um sinal.


E eu só queria mesmo colo. Um abraço. Deitar a cabeça em alguém e deixar me fazer aconchego mexendo nos cabelos. Eu só queria poder chorar e não ter ninguém pra perguntar o que foi. Queria ter alguém pra me abraçar e esperar o soluço passar e não dizer nada. Talvez eu esteja carente de carinho. Talvez eu esteja carente de atenção. Talvez eu esteja precisando achar meu caminho.

"Preciso de um tempo, preciso me reencontrar em novos caminhos e preciso disso agora" (Caio Fernando de Abreu) Ainda bem que Caio me entende. Acredito toparia me acompanhar numa taça de vinho e brindar o silêncio.

Tô esperando a água baixar. Pra poder começar a reconstruir tudo, de novo. Nada igual. Jamais é igual. Mas pode se mudar o acabamento, a cor... a essência é a mesma. Porque o tsunami vai deixar a cicatriz, colada no corpo. Mas não vai ser capaz de levar a minha certeza, que um novo dia vai chegar. Porque sei que quando o sol nascer, vai trazer junto um novo começo, uma nova esperança.






E hoje não tem foto. Nem música.




P.S.: Esse é um texto da série: ESQUEÇA DEPOIS DE LER.

sexta-feira, 9 de setembro de 2011

casamentos

Hoje vim para contar uma historinha de amor que precisa de um fim. 

Há alguns anos, existia um casal que se amava muito. Todo mundo comentava o quanto gostava de ver os dois juntos. Eles combinavam, davam certo. Pareciam ter sido feitos um para o outro. E foram. 

Muito tempo antes de se conhecerem seus destinos já estavam traçados. Quando eram crianças moravam no mesmo bairro e não se conheciam. Ela passava levada pelas mãos do pai, na frente da casa dele. Tempos depois ela se mudou. Alguns anos mais tarde ele também se mudou. E por obra do destino, para o mesmo bairro que ela. Depois descobriu que estudavam na mesma escola. Ele se tornou amigo do irmão dela e a partir daí a convivência ficou mais frequente. Foi quando então o amor começou a nascer.


Namoraram, noivaram, casaram, tiveram filhos e viveram por um tempo. Mas a imaturidade dos dois, a falta de pessoas que desses bons conselhos, os fizeram tomarem caminhos diferentes. O amor era grande, mas eles deixaram o cotidiano estragar um pouco essa beleza.



Ela achou que não existia mais amor e resolveu se separar. Para ele isso foi um choque muito grande, porque apesar das brigas que havia se tornado frequente, das discordâncias, ele achava que ainda eram um casal perfeito. O chão saiu de seus pés.

O problema foi que ela desgostava de algumas atitudes, ele achava bobagem. Ela queria algo mais, ele achava que estava tudo bem. E ninguém sentou para conversar. Estavam juntos e separados pelo silêncio.



Quando a separação chegou, cada um tentou fazer o seu rumo. Os amigos não acreditaram.



Ela depois de um tempo teve um namorado. Não deu certo. Ele teve varias namoradas, nada serio. Depois de mais uns anos, ela namorou e foi morar junto com o rapaz. Tiveram um filho. Mas apesar de se gostarem foi uma relação muito conturbada. Tiveram varias separações até chegar num fim.



Ele depois de muitos e muitos anos só com ficantes, resolveu se casar. Na verdade foi pressionado por uma que arrumou. As filhas tentaram avisar, mas ele acreditava que assim poderia se apaixonar e finalmente esquecer seu grande amor.



Ela agora está sozinha. Ele tentando se livrar do problema que arrumou.



Eles tentaram levar suas vidas adiante. Mas nenhum conseguiu se desgrudar totalmente do seu passado. Ele ainda carrega consigo o amor que sente por ela. Tenta disfarçar de todas as maneiras, mas é estampado em sua testa quem o coração chama. Ela tenta conviver com a culpa de que tudo podia ser diferente se não tivesse tomado tal atitude.


Toda vez que ela vai a casamentos, fica com o olhar distante. Não sabemos ao certo o que pensa. Mas uma vez me confessou que se pudesse voltar no tempo, teria feito algumas coisas diferentes. 


Porém, eu tenho certeza, de que um pedido de desculpa seria o suficiente para fazê-los seguir adiante. Uma conversa. A mesma que faltou no passado e que ainda continua sendo necessária no presente. Por os pontos nos is. O tempo não volta. Mas nunca é tarde pra se perceber um erro, confessar e pedi desculpas. Nunca é tarde para se perdoar.


Não acredito que eles voltassem a ficar juntos hoje em dia, acho que já se passou muito tempo e eles estão muito mudados. Não tenho a certeza de que eles topariam ficar juntos.  Mas acho que essas desculpas aliviariam a culpa dela. Varia ele por um ponto final nessa historia que ficou tão cheias de interrogações.



Os filhos em comum são o meio que os permitem se falar às vezes. Porém isso é uma desculpa, que eles não sabem que é desculpa. Porque na verdade eles não conseguem entender o que tem dentro de si. O que os une de verdade, não é só o amor pelos filhos, mas o amor de um para o outro que ficou no ar. 



O amor ficou perdido na linha do tempo. Não sabe se acabou, se diminuiu ou aumentou. Se deve ir embora, ou se deve ser transformado. Não sabe se é amor ou amizade, ou carinho, ou lembrança ou maldade.


Acredito que casamento deva ser pra sempre. Por isso, não acho que seja necessário somente amor. O amor é de extrema importância, mas não é tudo. Tem muita coisa que engloba uma vida a dois. Nunca casei, mas dá pra se imaginar o quão dificil deve ser. Basta você olhar para as pessoas que moram com você: pai, mãe, irmão, avó, tio, primo, cachorro. Com certeza tem aquele que você bate de frente, discorda, implica.


Conheço pessoas que se amam, mas não conseguem ficar juntas. Talvez exista amor que precise ser vivido desse jeito. Cada um em seu canto. Mas estando consciente disso, deixando claro para si e para o outro.


Adoro casamentos. Acho tudo muito lindo e inspirador.










(Acho que ainda vou precisar postar mais sobre casamento)