Não sei por onde começar. Não sei o que escrever. Só sei que preciso escrever. E é urgente!
"Aceitar as coisas que eu não posso mudar, coragem para mudar as coisas que eu possa, e sabedoria para saber a diferença." Ontem eu li isso e hoje fez sentido. Acho que acabei acreditando que podia salvar o mundo, que esqueci que de certas coisas eu não posso fazer nada.
Sabe tsunami? Que começa a se formar lá no fundo do oceano e vem se aproximando da costa, e alcança uma altura gigante, e saí levando tudo o que ver pela frente?! Pois, acho que foi assim que tudo aconteceu. Não começou hoje. A minha tsunami vem sendo formada a dias, mas parece que hoje chegou a costa. Mesmo sendo esperada, chega de repente. Passa rápido e deixa estragos gigantescos. Começamos a nadar pra tentar sair. Tentamos segurar em qualquer coisa que possa nos dar apoio. Não adianta. Nada é seguro. Não dá pra nadar contra a correnteza. Não dá pra ter apoio, nada é fixo. Só resta esperar e ver o que sobrou.
Morri de medo de surtar. Juro como eu tive.
Meu estomago começou a pedir comida, mas meu cerebro esqueceu de enviar os estímulos da vontade de comer. Depois minha cabeça doía, tive tonturas. Devia ser a fome, mas não dá pra engolir nada. Só dá vontade de ficar na cama. Na doce ilusão que estou cercada de proteção. Qualquer um que tenta atravessar os lençóis, dispara o alarme. Dá vontade de chorar.
E nessas horas eu esqueço de tudo o que eu acredito.Jogo fora todos os meus sonhos. So pra depois ter todo o trabalho que recolher os cacos e cola-los. Porque eles não vou morrer. Vão continuar lá, esperando eu trazer a cola. Por mais que naquele momento eu desacredite de tudo. Já percebeu que tem sentimentos e vontades, que são teimosos? Mandamos embora, mas não vão. Ficam na porta. Esperando. Porque sabem que um dia a gente os acalenta e traz de volta pra nós.
Dentre as muitas coisas que esqueceram de colocar na minha embalagem, ficou faltando a dose extra de sangue de barata. Ou talvez - e é o que eu acho mais provável- eu tenha usado toda a dosagem extra. Também ficou faltando a mente evoluída. Aquela que tudo entende, que tudo espera passar e que tudo compreende. Certas coisas não consigo entender. E olha que já estou até começando a acreditar que a errada da história sou eu. Talvez eu tenha estado errada o tempo todo. Porém, creio que ainda não tenho certeza dos erros. Ainda não estou pronta para ser o erro. E se é que sou mesmo.
Descobri que não sei de mais nada. A tsunami levou minhas teorias. Levou meus escritos. Enterrou minhas provas. Só me deixou o vazio e a pergunta: aonde quero chegar? Não sei mais quem sou e nem pra onde pretendo ir. Meu nariz não aponta mais nada. E o vento parou de soprar o caminho.
Seria pedir demais, eu ter apenas os meus 20 anos? Crescer de acordo com a idade cronologica? Pedir mais irresponsabilidades, já chega a ser absurdo, ne?! E se eu jogar tudo pro alto? Esses problemas não são meus. Não deveriam está sob minha responsabilidade. Até porque eu não busquei isso. E nem assinei contrato de responsabilidades extras antes da hora.
Eu só sei que doí. Mas não sei onde dói. Machuca, arde, queima, chega até a sangrar. E não tem anestesia pra nova tatuagem que está surgindo, mesmo sem permissão. Só me resta esperar. Faço esforço pra passar mas não depende só de mim. E continua doendo. É a dor da alma. É a dor do choro. É a dor da lágrima que não consegue cair, se cristaliza na queda. É a dor pra qual não existe remédio. Nem rivotril cura.
Eu faço de tudo pra ser forte. Faço mais ainda pra não cair. Mas tem horas que não dá. Bate a fraqueza e caio. Ás vezes penso ser forte, ás vezes acredito que sou um fracasso. Mas eu paro e lembro que sou apenas humana e lembro de uma frase que diz: "Você só sabe quão forte é, até sua única opção é ser forte". E talvez mesmo quando eu pareça fraca eu ainda seja forte. Talvez não ter surtado até aqui, seja um sinal.
E eu só queria mesmo colo. Um abraço. Deitar a cabeça em alguém e deixar me fazer aconchego mexendo nos cabelos. Eu só queria poder chorar e não ter ninguém pra perguntar o que foi. Queria ter alguém pra me abraçar e esperar o soluço passar e não dizer nada. Talvez eu esteja carente de carinho. Talvez eu esteja carente de atenção. Talvez eu esteja precisando achar meu caminho.
"Preciso de um tempo, preciso me reencontrar em novos caminhos e preciso disso agora" (Caio Fernando de Abreu) Ainda bem que Caio me entende. Acredito toparia me acompanhar numa taça de vinho e brindar o silêncio.
Tô esperando a água baixar. Pra poder começar a reconstruir tudo, de novo. Nada igual. Jamais é igual. Mas pode se mudar o acabamento, a cor... a essência é a mesma. Porque o tsunami vai deixar a cicatriz, colada no corpo. Mas não vai ser capaz de levar a minha certeza, que um novo dia vai chegar. Porque sei que quando o sol nascer, vai trazer junto um novo começo, uma nova esperança.
E hoje não tem foto. Nem música.
P.S.: Esse é um texto da série: ESQUEÇA DEPOIS DE LER.
Um comentário:
É IMPRESSIONANTE COMO VC ESCREVE BEM, ADORO LER TD, MESMO SENDO TRITE, MAS FAZ PARTE DO AMADURECIMENTO, SE EU FOSSE VC ESCREVERIA UM LIVRO...MUITO BOM...BJOS KEU
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