Acompanhante de caminhada. Era a função numa manhã dessas de sábado em que tudo que queria era acordar um pouco mais tarde. Achei que poderia, realmente, ser uma boa. O caminho era relativamente perto de casa. Poucas quadras.
Fui.
E descobri que não conseguíamos andar juntos. Um estava sempre pouco mais na frente, o outro sempre um pouco mais atrás. Quando percebia, parava e esperava. Tentava controlar os passos, para andar lado a lado. Foi um trabalho tremendo ir e voltar.
Passos lentos atrapalham meus pensamentos.
Certas pessoas não podem andar comigo porque preciso de ritmos nas minhas caminhadas. Meus pensamentos são extremamente rápidos e mais rápido ainda é a forma como os troco. Por isso preciso manter um ritmo enquanto caminho.
Talvez meus atrasos sejam os culpados pelos passos rápidos. Deve-se também uma parcela de culpa para as minhas urgências. Ou talvez, isso pode ter a ver com o jeito de ser. Mas não é sempre que caminho rápido. Ás vezes ando pra respirar o vento, pra sentir o cheiro.
Descobri também que não importa o amor, algumas pessoas não nasceram para andar juntas. Quando separados, conseguem caminhar, mas juntos não encontram sintonia. Tentam. Mas um fica ofegante para acompanhar os passos, o outro entediado com a lentidão. Não acham um compasso. E quando por alguns segundos permanecem lado a lado, não formam uma dupla. Porque o amor tem dessas coisas.
Não estarem juntos nunca foi por falta de amor. De forma alguma, sabiam o que sentiam. Mas não conseguiam avançar. Havia sempre um ponto em que paravam e assim permaneciam.

