sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

eu caminho, tu caminhas, nós não caminhamos

Acompanhante de caminhada. Era a função numa manhã dessas de sábado em que tudo que queria era acordar um pouco mais tarde. Achei que poderia, realmente, ser uma boa. O caminho era relativamente perto de casa. Poucas quadras.

Fui.

E descobri que não conseguíamos andar juntos. Um estava sempre pouco mais na frente, o outro sempre um pouco mais atrás. Quando percebia, parava e esperava. Tentava controlar os passos, para andar lado a lado. Foi um trabalho tremendo ir e voltar.

Passos lentos atrapalham meus pensamentos. 

Certas pessoas não podem andar comigo porque preciso de ritmos nas minhas caminhadas. Meus pensamentos são extremamente rápidos e mais rápido ainda é a forma como os troco. Por isso preciso manter um ritmo enquanto caminho.

Talvez meus atrasos sejam os culpados pelos passos rápidos. Deve-se também uma parcela de culpa para as minhas urgências. Ou talvez, isso pode ter a ver com o jeito de ser. Mas não é sempre que caminho rápido. Ás vezes ando pra respirar o vento, pra sentir o cheiro.

Descobri também que não importa o amor, algumas pessoas não nasceram para andar juntas. Quando separados, conseguem caminhar, mas juntos não encontram sintonia. Tentam. Mas um fica ofegante para acompanhar os passos, o outro entediado com a lentidão. Não acham um compasso. E quando por alguns segundos permanecem lado a lado, não formam uma dupla. Porque o amor tem dessas coisas. 

Não estarem juntos nunca foi por falta de amor. De forma alguma, sabiam o que sentiam. Mas não conseguiam avançar. Havia sempre um ponto em que paravam e assim permaneciam. 



Talvez ela precise ficar sempre na janela para vê-lo passar e ele precise cortar caminho pela rua dela para vê-la.













Mas não foi por acaso
Que o encanto se quebrou

O tempo foi gastando
O que não era pra durar
Como se eu soubesse
Não era amor pra todo dia

Ás vezes é mais saudável chegar ao "fim"

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