sábado, 14 de julho de 2012

delírios de um sábado

Morar sozinha é deixar a casa ser invadida pelos meus sorrisos, minhas alegrias, meus dramas, minhas conversas intermináveis. Minhas músicas acompanhadas de dancinhas sem sentido. Pelos meus discursos ensaiados na frente do espelho. É fazer do controle meu microfone. Pular em cima da cama e fazê-la de palco. É ter uma cama de casal só pra mim e todas as infinitas coisas que levo, junto com todos os meus travesseiros.

É deixar a casa ser invadida pelo cheiro de quando cozinho. É poder comer o sorvete no pote e não precisar dividir o chocolate. É o telefone tocar na hora do banho e sair molhando tudo para atendê-lo, porque esqueceu a toalha.

É o silêncio. É abrir as janelas e sentir o vento. É acampar na varanda pra ver o sol nascer, se por e a lua chegar. É a casa ser invadida pelas minhas insônias. É ter as minhas coisas espalhadas pelo chão. É me esparramar no sofá, carregando o edredom para ver um filme ou qualquer coisa banal. É a minha bagunça do jeito que eu deixar.

Mas é também ter que limpar, lavar, passar e contas pra pagar. É a casa ser tomada por choros e soluços. E ser retomada pela coragem e esperanças. É poder ver cada conquista e sonho pendurados no varal invisível, ou visível. 

É buscar limites e ser ilimitada. É rir das minhas besteiras. Deixar a casa ser invadida pela minha saudade. É se arrumar pra sair, ou passar o dia de pijama, e ouvir cada cantinho da casa dizer: estás linda! Curtir a própria companhia. É se sentir bem, sendo quem se é.




É receber uma visita inesperada. Justo quando você não está com a roupa apropriada e cabelo despenteado. E quando abrir a porta aquela casa que sempre foi tão feliz tomada de você. Agora é também tomada não mais pelos meus sorrisos, mas pelos nossos sorrisos. Pelas nossas músicas favoritas e dancinhas descoordenadas. Pelos nossos olhares, conversas, abraços e beijos, sonhos e planos. 

O sofá e o edredom são divididos, junto com a pipoca para vermos o filme, ou tentarmos vermos, porque eu estou sempre falando sobre alguma coisa. A casa é tomada pelas nossas besteiras. O cheiro da nossa comida na cozinha que nem sempre dá certo, mas é o preparo que é divertido, jantar feito a quatro mãos. É ter o armário dos chocolates invadido e pote de sorvete dividido.

É ter você me falando o que devo fazer e achando graça de toda a minha desobediência. É você ouvir todas as minhas teorias infundadas, mesmo sem entender uma palavra do que digo. É prestar atenção quando você fala, mesmo que eu não entenda nada de futebol. É não fazer nada e ter os melhores momentos, porque não fazer nada acompanhado pode ser muito divertido. É acamparmos na varanda para ver a lua, nomear as estrelas e ver para onde vão as estrelas cadentes. Fazermos os nossos pedidos. E depois rimos daquilo que fazemos. É morrer de saudade quando você pensar em ir. 

Deixar o silêncio se instalar porque aprendemos a conversar com o olhar. É ser livre, mas querer ficar junto. É rir das nossas histórias. É ter nas paredes a nossa história dividida. É permitir que minha cama seja invadida. É ter nossas coisas espalhadas pela casa. Nossos sonhos divididos.

Deixar de ter as minhas coisas e começar a ter as nossas. E mesmo assim poder ser tão eu. Porque quando chegastes de surpresa invadindo o meu mundo, (só invadir o coração e os pensamentos era pouco) eu disse que não estava esperando, poderia ter me arrumado. E você disse: gosto quando você é apenas você. Olhei-o e pensei: você me dá vontade de continuar.

As portas da minha casa sempre estarão abertas para o amor. Porque o meu mundo vai sempre ser invadido por um amor. E mesmo assim eu vou poder continuar sendo eu. Só que misturada em nós.

Afinal, já dizia o poeta, liberdade na vida é ter um amor para se prender.





7 comentários:

Anônimo disse...

Super me identifiquei com sua postagem... é tudo o que eu penso tbm que seja! Ta arrasando prima... bjoo marcelle

Anônimo disse...

Disse uma grande verdade. Ter um canto SÓ seu, como simplifica o primeiro parágrafo.

Bruna cw disse...

Esse eu gostei bem a sua cara e bem melhor q aquele...gostei mesmo =D

Anônimo disse...

Esse me fez chorar... Agora, além de sua amiga, sou também sua fã! Anny

Karina disse...

Poxa, Keila, neste você tava mesmo muito inspirada, hein!
É agora o meu favorito!! E é realmente a sua cara, supervocê!!
Não preciso dizer mais nada.
Bjs.

Roseane disse...

vc precisa ser descoberta, ou tentar escrever um livro, é sempre muito bom viajar em suas histórias, simplesmente amei, acho que é o meu preferido.

Roseane disse...
Este comentário foi removido pelo autor.