domingo, 7 de outubro de 2012

filosofia barata de final de domingo

Da série: conversas de domingo a noite

- Estava pensando com meus botões, meu coração deve tá com problemas (não é caso sério e nenhuma novidade, meu coração vive com problemas, está sempre disritmado). Mas é como se sentisse uma sede de viver. É como se o mundo interno precisasse invadir o externo. É como se tivesse que ser vivido do lado de fora.
(silêncio)

Outra coisa, cheguei à conclusão que promessas de amor deveriam ser proibidas. Porque acaba tornando obrigação cumpri-las. Faz-se do amor uma obrigação. Não pode. Tem que deixar acontecer.
(mais silêncio)

Não sei se está conseguindo me acompanhar e entender. Talvez, seja muito aquarianista essas coisas. E para uma mente tão sã quanto a sua, isso é confuso.

- Se eu te fizer uma pergunta, tu jura que me responde a verdade?
- Sim
- Você anda usando drogas? Sério, podemos procurar um tratamento pra você. Te ajudo nessa recuperação.
- hahahaha... Não uso drogas e não precisa se preocupar com isso. São apenas pensamentos de domingo.
- Ok, prosseguiremos. Porém, essas indecisões, pensamentos sem rumo... São normais. Acho que a gente está na idade das dúvidas. Falam que é na adolescência, mas eu já passei por ela e discordo. A fase adulta é a fase das dúvidas, porque é nessa fase que você começa a realmente tirar suas decisões por si, que você realmente assume responsabilidades que não irão recair sobre as costas de mais ninguém. Só sobre as suas.

(atenção para o rumo da conversa, percebe-se que o pensamento aquarianista realmente não está sendo acompanhado)

- Segundo o que falam da adolescência, eu devo ter começado a viver a minha com 20 anos. Aliás, ainda estou vivendo a.
- Então, a incerteza do que fazer ou de que decisão tomar vão se tornar cada vez mais frequentes. 
- Acho que os erros nessa fase são melhores, não menos doídos. São mais vividos, porque quando adolescente muitas vezes você nem enxerga como um erro.
- Exato. Adolescência é uma fase que você passa para aprender os princípios da vida. É como a escola, passamos a vida toda na escola para aprender e chegar à faculdade. A adolescência uma fase que você passa para aprender os princípios da vida e colocá-los em prática na fase adulta.

(pausa)

- Mas eu não estava falando de adolescentes, nem adultos. Eu falava daquilo que vive batendo no lado esquerdo do peito, que chamam de coração.
- Seu coração está assim, por causa das dúvidas. É comum. É normal. Você acha que tudo mundo na nossa fase está certo das coisas? Certo do que queremos? Não.
- Penso que nesse momento meu coração poderia ser substituído por um ponto de interrogação. Mas acho que as interrogações devem continuar mesmo na cabeça, porque no fundo o coração sabe o que a gente quer e deve fazer.
- Daria na mesma coisa. É como discutir qual é o pior dia da semana, se não fosse a segunda seria a terça. O coração poderia ser substituído pelo fígado, se ele tivesse a mesma função do coração, iríamos sentir a mesma coisa.
- Sim. Mas acho que você ainda continua não entendendo. Não é pra ser levado tão a sério. Porque no fundo isso tudo é pra falar de amor.
- Amor é um problema.
- Por isso que você vive fugindo.
- Eu acho que nunca vou conseguir entender direito a finalidade do amor. Não é querendo ser durona, mas é que eu não consigo entender como que uma coisa é pra te deixar feliz e te deixa triste. E porque a gente luta tanto por uma coisa que nos deixa mal. Realmente é muito para minha cabeça.
- O amor não é pra deixar ninguém mal. Porém, é impossível amar sem sofrer. Só que esse sofrimento, é inclusive, o que muitas vezes faz o amor crescer, amadurecer, melhorar e parar de sofrer. Mas é um fato: quem ama sofre.
- Concordo. Mas poderia ser mais fácil.
- Por quê? Se fosse fácil não saberíamos dar o seu devido valor.
- Eu vou procurar um “mô” pra mim. Toda vez que vejo um casal se chamando assim, eu me lembro da história daquele dia. (piada interna)
- Um dia quando tivemos o nosso "mô", riremos ainda mais.
- Verdade, viu!?
- Tudo o que um dia a gente disse nunca fazer, o amor nos faz fazer. E repetidas vezes.
- Outra verdade.
- O amor é capaz de mudar uma pessoa. Mas, não necessariamente pelo outro e sim porque ela se torna melhor amando. E sendo amada.
- Concordo. Eu sempre admirei muito o amor das pessoas, mas sempre achei difícil realmente amar alguém. Digo no sentido homem e mulher. Sempre me achei tão bem resolvida quanto a isso , tão independente...
- O amor é liberdade. É tanto, que é você quem escolhe ficar. Adoro quando o poeta diz: liberdade na vida é ter um amor para se prender.
- Quando estive com “ele”, foi muito bom. Realmente o amei de verdade e nem sabia nada de amor. Mas daí vieram os desencontros da vida e as coisas não acabaram tão bem, nos afastamos. E agora, alguns meses depois, voltamos a nos falar e renasceu uma energia tão boa, uma coisa legal. 
- O amor nunca acaba. Ele se transforma. Vira carinho, amizade, lembrança, raiva... Mas não acaba. Você já passou pela fase do sofrimento, agora vai parar de doer.
Acho que Platão deve ter um baita orgulho de mim, mas eu não quero mais viver de Platonismos. Quero um amor onde duas pessoas possam está juntas nesse plano de amar. Amando, sofrendo, errando, aprendendo, mas juntos. E não precisa ser pra sempre, basta durar o que tiver que durar. Viver o que tiver que viver. Precisa durar apenas enquanto existir amor.
-UAU. Tens toda razão. Amar só por escolher amar também não tem graça. Tem que amar por amor. Eu já tentei amar por escolha e não é legal. Você não consegue.
- Ninguém escolhe quem amar.
- Tem gente que consegue.
- Não, não. Acho que você acaba amando mas não porque escolheu e sim porque descobriu um ser que admirasses. Acabou descobrindo o amor.
- Pode ser.
- Eu gosto de amar o amor.
- Não sei necessariamente se eu gosto.
- Ai ai ai
- Acho que estamos drogadas. Olha só essa conversa.
- Porque encaras o amor como uma droga?
- E não é?!
- Não. Não é.
- Não vamos começar isso de novo. Até porque eu preciso ir. Tu vais ser sempre essa eterna apaixonada pelo amor e por tudo e defenderá o amor até o fim.
- Quero poder ser sempre assim.



Coisas que só um final de domingo pode fazer.








E toda essa tagarelice é culpa da água de janeiro que me deram.









Eu vou tentar mais uma vez
Eu vou atrás, não vou ter medo
Eu vou bater, eu vou entrar
Eu vou chegar mais cedo mais uma vez

Eu vou entrar na tua casa
Eu vou entrar na tua vida


Nenhum comentário: