domingo, 13 de fevereiro de 2011

um castigo de sonho

Acordei. Ainda deitada lembrava apenas que tinha tido um sonho bom. Veio a mente algumas cenas confusas, atrapalhadas, nada demais. O que me deixou um pouco angustiada, sei que sonhei algo bom e não consigo lembrar.

Levantei e comecei a passear pela casa. Fui lembrando de algumas partes. Mas, nada demais. Nada que me fizesse realmente parar e prestar atenção no que estava pensando. Preparo meu café da manhã, sento e ligo  a TV.

O coração começou dando pontadas. Depois conseguiu manter uma frequência. Acelerada.

Surge tudo na mente. Um prato cheio do que aconteceu no sonho (entenda como a parte mais importante). Sorrisos, olhares, joguinhos... Daqueles sonhos que deveriam ser reais. Oh céus! É quase um castigo sonhar desse jeito.

Maldito sorriso, maldito olhar, até em meus sonhos vem me perturbar. Só era o que eu pensava. Um verdadeiro filme de amor, digno para produções em Hollywood. Encontramos-nos sem querer, uma rápida troca de olhares. Bateu aquela, digamos, química. Logo, descobri que estudaríamos na mesma sala. Depois da aula ele se aproxima, fico encabulada. Vejo mais de perto seu sorriso, aquele olhar. Tento fugir, não consigo. Puxa um assunto qualquer, sou um pouco indiferente, não dou muita conversa. Pensava apenas: preciso fugir daqui, não por sei quanto tempo ainda posso resistir. Tento me despedir, ele não deixa. E começamos um joguinho de conquista. Aqueles olhares meio de lado, o sorriso de canto da boca. Depois de alguns dias os amigos comentam:  ele está afim de você. Insisto em dizer que não, faço um discurso que somos apenas colegas, e ignoro totalmente o fato dele já ter dito que estava afim de mim.

Tudo começa a mudar quando vou visitar um parente (preciso de dizer que depois de umas algumas poucas semanas ele já me acompanhava até em casa, lanchávamos juntos depois das aulas, ele conhecia alguns da família, um pequeno nível de intimidade). Na casa do parente conversa vai, conversa vem e sabe aqueles assuntos que sempre falam, está namorando? Outro pergunta e aquele rapaz, quem é? Pois então, todos o viam me acompanhando. E surge a seguinte conversa:

- o fulaninho está afim da sicraninha (essa era uma prima)
- O QUE? - pergunto já pulando da cadeira.
- Ah ele ficou aqui cuidando dela. (a dita cuja estava adoentada)
- Vocês enlouqueceram? Ele veio me acompanhar na visita, ela estava doente, ele foi simpático e ainda tem mais, NÓS estávamos cuidado dela. Ele gosta de mim.

Pouquíssimo tempo depois vou embora, um tanto revoltada. No caminho eu pensava o que me aconteceu, porque agi dessa forma. Decidi que precisava fazer alguma coisa. Tenho que deixar tudo muito claro pra mim... E pra ele.

 Nos encontramos no outro dia. Tudo normal. Sentamos juntos, estudamos, conversamos, trocas de olhares, sorrisos de canto. Até que me deixo ser roubada. Contato físico. Um selinho. Ele percebe a permissão e não acredita. Tenta mais uma vez, consegue e olha pra mim. Eu com um pequeno sorriso encabulado, o rosto corado, só consigo dizer: eu gosto de você. (quando na verdade, achava que já estava pronta pra dizer eu te amo. Tinha medo. Mas o coração palpitou desde a primeira vez que o vi, ali eu já sabia que era ele). Seus olhos brilharam. Parecia que falei o que ele queria ouvir desde a primeira vez. Nem se importou com o eu gosto de você em vez, do eu te amo. Ficou olhando pra mim por algum tempo, na verdade segundos, apesar de parecer muito tempo. Observo como me olha, como sorri, aquele rosto parece dizer eu também gosto de você. Não conseguimos dizer nada durante esse tempo. Até que... O beijo aconteceu. Parecia ser um sonho. Os dias não tinham mudado muito, continuava a rotina de aulas, estudos. Mas agora estávamos um do lado do outro, andávamos de mãos dadas. E sem mais esconder os sentimentos.

E no meio de tanta felicidade, acordei.

Cruzei os dedos, pensamento firme, espero que isso seja um aviso, uma visão, qualquer coisa que me diga que isso pode acontecer.

Histórias de amor sempre um tem fim. Um dia tudo acaba, nem que seja por culpa da morte (o amor pode até continuar, mas não mais ter o outro pra se viver a história).  Minha história durou apenas uma noite, um sonho. Foi intenso, verdadeiro, um conto de fadas que acabou (e com final feliz). Espero o próximo. O sonho e o real. E se machucar? Arrumo um jeito de me reconstruir, dói muito, mas passa. O que realmente nunca vai passar  é o gosto pelo frio na barriga e as incertezas. Desvendar o futuro, ver o que me espera.

P.S.: Como fui eu que escrevi o texto pode ser que tenha uma pequena dose de exagero e muitas doses de omissão. Nem tudo é publicável, nem tudo pode ser contado, tem segredos que são apenas meus. Nem para o melhor amigo eu conto tudo. E não, não me pergunte nada. Gosto de manter um pouco de privacidade comigo mesma.
P.S.2: Quando comecei a escrever achava que a trilha sonora deveria ser "hoje a noite não lugar" do legião urbana, mas quando dei o play começou a tocar "I never told you" da Colbie Caillat. Achei que combinava com o  texto. Bom, parece que se encaixou perfeitamente bem.

2 comentários:

Thays Saionnara disse...

Muito bom o texto! bom mesmo! escreve muito bem e se expressa perfeitamente...ADOREI! Começa assim com um sonho , sonhar é uma coisa muito importante, pois é dos sonhos que muitas vezes construimos a realidade.

Louise Heine disse...

TUDO é publicável, sem pena do estômago de quem lê. Aliás, as verdades impublicáveis que não existiram, eu invento! hahaha
Beijos, adorei!